Alemanha levou de 8x3 na Copa da Suíça em 1954

Existe "zebra" em final de Copa do Mundo? A resposta normal seria não. Afinal, para chegar a uma decisão do Mundial uma seleção passa por duros obstáculos. Mas na quinta edição da competição, em 1954, havia uma diferença gigante entre os dois finalistas. Não apenas no papel. O favoritismo de um dos lados era embasado por uma série de motivos. Um deles, fortíssimo: uma goleada sobre aquele mesmo adversário, obtida apenas duas semanas antes. Mas o resultado na decisão foi inesperado. Tanto que ficou conhecido como um milagre. O "milagre de Berna".

No início dos anos 50, a Hungria dominava o futebol europeu. Em 1952, subiu ao topo do pódio dos Jogos Olímpicos de Helsique. A equipe que foi à Suíça disputar a Copa do Mundo tinha como base o time campeão olímpico. A seleção não perdia um jogo sequer desde maio de 1950. Nesse intervalo, além da medalha de ouro olímpica, fez história ao golear a Inglaterra em Wembley por 6 a 3, em 25 de novembro de 53. Na primeira vez em que o English Team foi derrotado em casa por uma seleção não britânica. E não contentes, os húngaros aplicaram um 7 a 1 sobre os ingleses na "revanche" em maio de 54, em Budapeste, no último jogo antes da Copa. Já a Alemanha voltava a disputar a Copa depois da ausência forçada em 50. E o país ainda sofria os efeitos da Segunda Guerra Mundial, encerrada apenas nove anos antes. Que afetava todos os setores do país. Incluindo o futebol. E as perspectivas alemãs ainda ficaram mais ameaçadas com o sorteio das chaves.

A equipe foi "agraciada" com um lugar no Grupo 2, ao lado da poderosa Hungria. O esquadrão húngaro liderado por Ferenc Puskas mostrou sua força logo na estreia: fez 9 a 0 na Coreia do Sul. E se alguém ainda tinha dúvida sobre quem era o favorito para o título, o resultado do segundo jogo acabou com qualquer incerteza. A Hungria encontrou a Alemanha e aplicou um incrível 8 a 3. Com quatro gols do atacante Kocsis. Puskas também balançou a rede, mas sofreu uma lesão no tornozelo, que o afastaria dos dois jogos seguintes. Os alemães jogaram sem cinco atletas que entrariam em campo na final. Mas Fritz Walter e Rahn, dois dos principais nomes da equipe no Mundial, estavam lá. Após a goleada - a pior até hoje sofrida pela equipe tetracampeã em um Mundial -, a Alemanha precisou de um jogo extra para se classificar para a segunda fase.

E aí foi a sua vez de golear: 7 a 2 na Turquia. E o time cresceu na competição, derrotando a Iugoslávia na quartas de final (2 a 0) e passando com facilidade pela Áustria na semifinal (6 a 1). Já os favoritos húngaros tiveram que suar a camisa para percorrer o caminho para a esperada decisão. Nas quartas de final, a Hungria fez 2 a 0 no Brasil com apenas sete minutos de jogo, mas só garantiu a classificação aos 43 do segundo tempo, quando Kocsis fez 4 a 2 na chamada "Batalha de Berna", com pancadaria no campo e vestiário. Djalma Santos (de pênalti) e Julinho marcaram os gols brasileiros. O desafio seguinte era o Uruguai, o atual campeão.

Com alguns remanescentes do título de 50 (Maspoli, Rodriguez Andrade, Schiaffino), a Celeste mostrou a tradicional garra, empatando o jogo após ficar em desvantagem por 2 a 0 e levando a disputa da vaga para a prorrogação. Mas no período extra, o talento magiar falou mais alto, e a Hungria avançou com um novo 4 a 2.


Pesquisa - Magno Moreira

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